Fragmentos de Memória (2)
(O Fragmento nº 1 foi publicado no dia 18/06/04)

A menina tentava dormir... E como o sono às vezes judia... Faz doer... Irrita!
Virava-se na cama, encolhia e esticava as pernas... Sugava com força a chupeta... Esfregava os olhos... Afastava os cabelos do rosto... Choramingava... Resmungava!
E... Quando finalmente sentiu-se confortável... Quando finalmente relaxou... Quando entregue àquela sensação gostosa... Em alfa... Quase dormindo... algo a despertou... E esse despertar era ainda mais incomôdo... Precisava dormir... Quis virar-se... ajeitar-se... mas agora estava mais difícil...
Afinal o que estava acontecendo?

De diferente, sentia apenas uma mão entrelaçada em sua calcinha... O contato era suave... nada abrupto ou violento... aquela mão delicadamente deslizava em seu corpo e já entre suas pernas a acarinhava ao mesmo tempo em que forçava para baixo aquele pedacinho de tecido que protegia tão fragilmente o também frágil sexo inocente... Bem... Se era ou não seu sexo sendo acarinhado, não importava, afinal ela ainda não ouvira a palavra sexo... e aquela parte do corpo sendo tocada não possuia nenhuma importância diferente de qualquer outra parte... Como poderia saber o que estava acontecendo? Como entender a significação daqueles toques??? Se fosse para agora pensar por ela, poderíamos dizer que o que acontecia não a ofendia de forma alguma... Os toques não eram desagradáveis... Não causavam dor... Mas afinal, ela estava com muito sono e aquele despertar provocado a estava irritando...Precisava mesmo dormir.. Mexeu-se pra lá.. pra cá... Tentou desvincilhar-se daquela enorme e forte mão... mas as suas eram tão pequeninas... Tentava, em vão, repôr a calcinha... e aquele exercício... aquela resistência a estava cansando demais... já era quase um desespero... Talvez tenha choramingado.. Talvez tenha reclamado... Pois, após algumas tentativas malsucedidas, sem se dar conta direito do que acontecia, viu-se estatelada no chão...

Hoje, por mais que forçe a memória não consegue se lembrar se o que a levou até ali fora um empurrão ou um chute certeiro... Sentou-se espantada... contrariada... absolutamente desperta... E então, com toda a potência de seus pulmões berrou... e chorou... e desabafou... Poderíamos dizer que estava frustrada... Tudo o que a incomodava era o sono... Chorava apenas porque queria... precisava dormir... Diferentemente do que sempre acontecia quando chorava, naquele momento ninguém a socorreu... ninguém foi lhe agradar... olhou em volta e o cenário a irritava mais... O pai ainda na cama tentava explicar a mãe – que esbravejava ao pé da cama que a menina tentava com os pés tirar a sua cueca e com isso não o deixava dormir... A menina olhava pra ele com raiva... talvez ódio... confusa não entendia por que ele a jogara fora da cama... A mãe, ela também fitava confusa, afinal porque ainda não a socorrera... andava de um lado pro outro... estava diferente... indiferente a ela... falava, gritava e de repente já estava com uma caneca de água na mão, a qual com violência despejou sobre o pai na cama... que gritou que estava quente... levantou-se, e depois disso foi só pancadaria... Houve um tumulto... Outras pessoas entraram no quarto... Ela estava agora completamente confusa... Nada entendia... Mas gritava ainda mais... Ela queria dormir! Parece que alguém a pegou no colo e a tirou dali.. talvez tenha dormido logo em seguida, pois hoje não se lembra mais do que se seguiu...

Escrito por Deb às 02h18
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